Em 1938, pesquisadores da Universidade de Harvard deram início a um estudo que, hoje, é a pesquisa mais prolongada sobre a vida adulta. O Estudo do Desenvolvimento Adulto acompanhou, nos últimos 75 anos, as vidas de 724 homens com o intuito de descobrir o que mantém as pessoas felizes e saudáveis da adolescência à velhice. A pesquisa foi dividida em dois grupos, o Grant Study, com 268 alunos de Harvard que se formariam no começo dos anos 40, e o Glueck Study, com 456 meninos de 12 a 16 anos que cresceram nos bairros mais pobres de Boston.

Os pesquisadores questionaram os participantes, pessoalmente, a cada dois anos, com perguntas sobre a qualidade de seus casamentos, satisfação com seus trabalhos e atividades sociais. Entrevistaram suas mulheres e filhos, além de monitorar a saúde de todos, com exames de sangue, radiografias, ecocardiogramas. Durante as décadas, os jovens se tornaram adultos com as vidas e carreiras mais variadas - entre os jovens do grupo de Harvard, inclusive, estava o ex-presidente dos EUA John F. Kennedy.

No TED Talk "O que torna uma vida boa? Lições do estudo mais longo sobre a felicidade", o quarto e atual responsável pelo pesquisa, Robert Waldinger, compartilha as principais lições que as sete décadas do estudo trouxeram. "As lições não são sobre riqueza, nem a fama, nem trabalhar cada vez mais. A mensagem mais clara que obtivemos deste estudo de 75 anos é esta: As boas relações mantêm-nos mais felizes e mais saudáveis. Ponto final", afirma Waldinger. 

Segundo o pesquisador, a pesquisa mostra três grandes lições sobre relacionamentos. A primeira é que as relações sociais são boas para nós, e que a solidão mata. "As pessoas que são mais isoladas dos outros do que gostariam descobrem que são menos felizes, a sua saúde piora mais depressa na meia idade, o seu funcionamento cerebral diminui mais cedo e vivem menos tempo do que as pessoas que não se sentem sozinhas", ele explica.

A segunda lição é que não basta ter vários amigos ou estar em um relacionamento sério, o que importa é a qualidade das relações. Waldinger conta que depois de acompanhar o participantes até os 80 anos, o time de pesquisadores voltou em alguns anos da pesquisa para observar se era possível, na meia idade, prever quem iria se tornar um octogenário saudável e feliz. Ele revela que os indicadores da longevidade não foram físicos: "Quando reunimos tudo o que conhecíamos sobre eles, na idade dos 50 anos, não eram os níveis de colesterol da meia idade que anunciavam como iriam envelhecer. Era o grau de satisfação que sentiam nas suas relações. As pessoas que se sentiam mais satisfeitas com as suas relações, aos 50 anos, foram as mais felizes aos 80 anos".

E a terceira lição é que bons relacionamentos ajudam a manter uma boa memória. De acordo com o estudo, aqueles que estavam em casamentos estáveis aos 50 anos se saíram melhor em testes de memórias do que os que estavam separados, divorciados ou enfrentando problemas matrimoniais. "Pessoas que estão em relacionamentos em que sentem que não podem contar com o parceiro são as que experienciam um declínio da memória prematuro", afirma Wadinger.

Segundo o pesquisador, os resultados não são realmente surpreendentes: nós sabemos que bons relacionamentos são bons para nossa saúde desde sempre. O problema é que queremos soluções rápidas para nossos problemas e alguns relacionamentos precisam de trabalho contínuo. Mas é um esforço que vale a pena - talvez mais do que todos os outros. Robert Wadinger reforça: "Muitos dos nossos participantes, quando chegaram à idade adulta, acreditavam que fama, riqueza e grandes realizações eram tudo o que necessitavam para ter uma boa vida. Mas, ao longo destes 75 anos, o nosso estudo provou diversas vezes que as pessoas que se saíram melhor foram as que se apoiaram nas relações com a família, com os amigos, com a comunidade". 

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